segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Velhinhos do CCZ

Um gato frajola idoso, há tempos no centro de controle de zoonoses (CCZ) de São Paulo. Na famigerada carrocinha. Li sua ficha várias vezes: retirado por ordem judicial. Ele e mais uns 14 gatos, todos adotados. Exceto ele. Quero dizer, ele também foi. Eu me apaixonei por ele, mas demorei muito a chegar. Quando perguntei dele a agente abriu a porta do gatil. Ele relutou em sair de sua bacia plástica quentinha. Mas saiu e veio até a porta. Não saiu da baia, ficou na porta fazendo graça com a língua colocando-a para dentro e para fora várias vezes, enquanto tocava o particular piano felino. Cocei sua cabeça várias vezes e a espera havia terminado. Eu o adotei. Godofredo seria seu nome na breve vida que teríamos juntos. Seria injusto dizer que a Natureza o levou muito cedo. Ele viveu muito, devia ter muitas histórias pra contar. Muitas mesmo. Não queria muito, dormir na cama ao meu lado, olhando nos meus olhos quando eu acordava, estar junto dos outros gatos, uma boa comida e uma pequena volta pela casa, era suficiente para ele. Suficiente para ter um fim digno. Você vai lá e adota os que ninguém quer, se faz de durona, sabe que não viverão muito pela idade avançada, está ciente disso. Chorei tanto quando ele se foi. O destino foi injusto, por não ter cruzado nosso caminho antes, muito antes. Adeus, querido Godô.


Ironicamente não fui ao CCZ por causa dele, mas por uma gata tricolor idosa, cega e sem dentes. Sua baia era mais próxima de entrada e foi a primeira que vi. Não gostou muito de ter seu sono interrompido, ainda mais por uma estranha que quis pegá-la no colo. Ficou assustada e se enrolou escondendo a carinha no meu colo. Sua ficha dizia ter sido retirada de uma casa. Segundo os moradores desta casa, a gata caiu no quintal e não conseguia ir embora por ser cega. Confesso que essa história não cheira bem. A chance da gata ser deles e de terem inventado isso para se livrar de um animal velho e sem função é bem grande. Pra piorar ela deve ter sido muito maltratada. Tem marcas e falta um pedaço da sua boca. Os dentes teriam caído por causa da velhice ou por algum outro motivo?
A atendente, na hora de preencher os papéis da adoção, riu quando preencheu a cor no formulário. “Tartaruga, isso é cor?” Tentei em vão explicar-lhe algo sobre gatos. Insistia que eram gatos de pouco mais de dois anos, olhou-me com cara de espanto quando lhe disse que eram idosos. “Por que não adotar um filhote?” Perda de tempo explicar-lhe meus motivos. Depois riu e repetiu várias vezes que Mae era mãe sem o til. Pra finalizar contou a história da rottweiller que adotou lá da zoonoses. Eu teria ficado mais feliz se o animal não tivesse raça, como as centenas de cães lá à espera de alguém, mas fiquei feliz pelo “adotou”. Muitos outros comprariam um filhote. Nem passei perto do canil. Eu tinha perto de uma centena deles em casa. Com certeza acharia uns 3 ou 4 parecidíssimos com cada um dos meus. Pra piorar sabia que o destino ainda me pregaria algumas peças caninas. Baixei a cabeça, contive as lágrimas e fui embora com os gatos idosos.
Infelizmente era só o que podia fazer pra ajudar.
Mae escolheu uma casinha e nela se instalou. Sua deficiência visual não ajudava muito na adaptação, mas percebia que ela dava sua voltinha na casa, comia, bebia água, fazia as necessidades no lugar considerado errado por mim, mas não por ela, e retornava à caminha. Às vezes trocava de caminha, não sabia se voluntariamente ou involuntariamente, por não ter encontrado a inicial.
Apesar da idade avançada e de todos os indícios de que teria uma vida curta comigo, Mae está ótima. Cada vez mais adaptada, passeando e experimentando todas as caminhas disponíveis.


Todos criticam o CCZ de São Paulo. Eu fui lá e encontrei agentes preocupados com os animais. Encontrei gatos idosos sem chance de adoção ocupando gaiolas... Se eu não os tivesse tirado de lá, continuariam até o fim natural. Aliás, os agentes estavam preocupados que lá morressem naturalmente sem ter novamente um lar. Não é perfeito, mas não é o inferno sobre a Terra. Já visitei muitos abrigos e casas de supostos protetores que me deixaram desesperada com a situação dos animais. Pior, sem chance de sair de lá, apenas se mortos.
Quase dois anos depois desta primeira visita uma outra idosa me faria retornar ao CCZ. Nem foto dela tinha visto, só sabia que era cinza. Fiquei dias elaborando uma lista de nomes: Loretta, Corinne, Connie. Fui até lá, o caminho até o gatil estava todo enfeitado com cartazes incentivando a adoção. No canil também, frases e cartazes coloridos.
No gatil conheci a senhorinha. A veterinária chefe achou um intervalo entre as castrações para me atender. Felino, fêmea, cor predominante cinza, idade presumida 15 anos, complexo gengivite/estomatite, aplicação de depo-medrol recente. Data de entrada: 1 anos antes. Procedência: animal invasor. Local: Rua Aurora, Santa Ifigênia. Havia o nome e o celular do animal humano que fora ameaçado por ela. Vontade de ir até lá tirar satisfação! As cores da minha falecida Cookie... Connie seria seu nome. Foi retirada da gaiola pela veterinária e fez sua graça, se esticou, esfregou, ronronou e ainda ganhou carne de latinha dos agentes do CCZ. Preocupados em me convencer em adotá-la até a pentearam. Como se isso fosse preciso... Connie já morava no meu coração! Adoraram o nome que dei a ela. Fui entrevistada, paguei a taxa e toda a papelada foi preparada. Quando resolvi tudo Connie já estava na bolsa de transporte. Ao sair, um funcionário do CCZ fez questão de me parabenizar e quis saber mais detalhes dela. Com certeza muitos animais lá perderam suas vidas, mas a culpa é de quem os abandonou. A culpa é de quem escolheu por raça ou qualquer característica física. A culpa é daqueles que deixaram nascer animais por puro capricho e não adotaram os que precisavam. De que adianta protestar, gritar, espernear, criticar se você não vai lá e muda a vida de pelo menos um deles? Eu dei uma chance a Godofredo, Mae e Connie. Pouco? Sim. Mas fiz algo. Criei coragem e fui até lá verificar a realidade. Como posso pedir que outros façam algo que eu nunca fiz? Agora posso dizer a todos: eu adotei no CCZ e foi a melhor coisa que fiz! Quando tiver um espacinho sobrando farei novamente! Adotei os que ninguém queria, fiz porque mereciam um fim de vida digno. Sei que vai doer muito perdê-los tão cedo, como foi com meu querido Godô. Mesmo que seja pouco tempo nunca os esquecerei!
            Connie ficou mal humorada nos primeiros dias. Não gostou dos outros gatos. Nada que uns dias e um pouco de paciência não resolvessem. Depois de um ano numa gaiola a espera de um lar, Connie se esticou, andou por toda a casa e pelo quintal. Dormiu ao sol, passeou de noite como costumava fazer lá na Rua Aurora. Ronronou a cada agrado.


Connie Aurora Ifigênia, que a Natureza permita que você me acompanhe por muito tempo!

domingo, 4 de setembro de 2011

Alley

Eu não sabia, mas acabaria ficando com um bichinho de cada local que ajudei. Começou com o Alley... Morava num terreno imundo com uma mulher miserável que ganhava algum dinheiro como “lar temporário”. É muito difícil conseguir lidar com essas pessoas, então aquele lugar se transformou num verdadeiro depósito de animais e as pessoas sérias que queriam ajudar não davam conta dos animais e das doenças que proliferavam pela falta de higiene e cuidados. Foi uma luta...


 Ele era aleijado, deve ter sido atropelado e a pata ficou torta por não ter sido socorrido. Sua história é incerta, já que a tal mulher era, além de suja, mentirosa. Vivia preso numa corrente, lembro de ir lá ajudar a dar comida e um pouco de atenção pros coitados que lá “viviam” e ele puxar o chaveiro do meu bolso. Um dia eu insisti e o levei pra casa, magro, com giárdia, pavor de vassouras... Ficou imenso, parecia uma mesa de centro! Mesmo assim não arriscava e dormia ao lado do comedouro, traumas de quem já passou muita fome...


Alley viveu sua vida e um linfoma foi o responsável pelo seu fim. Na verdade, a boa morte teve que nos visitar mais uma vez quando Alley não quis mais comer. Ele, o fominha, que dormia ao lado dos comedouros e os mastigava quando não estava comendo para evitar que outros cães se aproximassem e roubassem sua comida, não queria comer? Sabia que era o fim e não podia deixá-lo sofrer.
Certos dias, no meio da latição, tenho a impressão de ouvir o seu latido, mas quando me viro para pedir que pare de latir, ele não está lá. Saudades do meu Alleychato...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Skipmóvel

Meu brinde de terceiro mutirão de castração. Aliás, esse mutirão rendeu! Dele veio a Summer também. Ele veio seguindo uma senhora que estava levando alguns animais pra castrar. Sem coleira ou guia, chegou chegando, correu de um lado pro outro na escola, latiu pros cães e pros gatos que aguardavam o momento da “mutilação”! Como naquele dia o mutirão era da prefeitura pedi uma vaga para ele, afinal vivia solto pela cidade e perpetuando a espécie. Consegui e colocamos nele a ficha com o número pra ser chamado pra pesagem e pré-anestesia. Ficou o tempo todo lá na escola, sumiu minutos antes do seu número ser chamado. Paciência... Depois do almoço, quem chega chegando? Ele! Sem a ficha no pescoço, claro. Dessa vez fui mais esperta que ele e o tranquei em uma sala. Finalmente foi castrado. Acordou da anestesia, comeu o que sobrou do almoço e no fim da tarde, já bem acordado, seguiu seu caminho. No dia seguinte, quase no fim da tarde do último dia de mutirão quem chega chegando? Ele! Ficou por lá, disse oi pra todos, inclusive pro veterinário que arrancou suas bolas! Fim de mutirão, todos guardando as coisas, arrumando a escola, limpando e ele lá esperando. Os vets e voluntários vão embora, eu, minha mãe e algumas protetoras da cidade estávamos terminando de organizar tudo. Ele sentado na calçada observando a movimentação e as pessoas indo embora, sempre olhando com cara de coitado: "Vocês vão me deixar aqui? Já fui castrado, posso ser adotado!". Não pensem que não tenho coração, ir embora e deixar o pobre animal lá, sem casa, sozinho, à mercê de todo tipo de crueldade! Se eu pudesse pegaria todos, mas não posso! Enfim, ia ser a última a entrar no carro e fui surpreendida antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Como ninguém se manifestou ele mesmo resolveu a situação: não foi adotado, me adotou! Entrou no carro correndo e se instalou como co-piloto. Tudo bem, pensei em deixa-lo dar uma volta de carro, logo ele desiste e segue o seu caminho. Paramos mais a frente e ele desceu do carro. Fui embora, minha mãe me seguindo no outro carro. Ele gostou do passeio. Saiu correndo atrás do meu carro. Parei e o deixei entrar novamente. Uns quarteirões pra frente eu o deixei sair de novo. Fechei a porta e fui indo embora. Mesmo com pouquíssimos carros na rua ele quase foi atropelado. Nesse momento, eu não sabia, mas minha mãe já estava gritando no carro pra eu pegá-lo logo! Eu tentei, mas não consegui. Parei e abri de novo a porta. Ele saltou no meu colo e fomos pra casa dos meus pais, ele no meu colo, quase dirigindo no meu lugar. Fui chorando, me perguntando porque isso sempre acontece comigo. Acho que nunca vou entender o porquê. Mãe, pai: dessa vez EU não tive culpa!!! Agora ele é o meu cachorro SKIP e eu sou sua dona CRIS.

 Skip é o co-piloto oficial. É quase impossível sair de casa sem ele. As compras dominicias feitas pelo meu pai sempre envolvem um carro e o Skip. Não importa qual carro. Cor, modelo, acessórios, nada disso importa. Ele só quer andar de carro. E sabe que é domingo, dia das compras, mesmo ser ter um calendário.


Situações inusitadas ocorreram por causa dele. Quem não se diverte com a cena de um cão descabelado no banco do motorista? Como diz meu pai: "se deixar a chave corro o risco de ele ir embora dirigindo". Uma vez, meu pai parou o carro numa praça no centro da cidade. Dois senhores tomavam sol e conversavam num banco, aquela coisa boa de se viver no interior. Skip estava apertado, precisava fazer xixi! Meu pai abriu a porta, ele correu até uma árvore, fez um xixi enorme e voltou correndo para dentro do carro. Os dois senhores se divertiram com a cena...

Essa mania de ficar no carro já o colocou em situações difíceis. Quantas vezes horas depois de chegar em casa alguém pergunta: cadê o Skip? Resposta: no carro! E vocês acham que ele está lá enlouquecido, desesperado para sair? Que nada, dorme horas e horas no conforto do banco.


Dias de chuva também são complicados. A terra vermelha de Tatuhy não ajuda, assim para evitar que os bancos do carro fiquem cheios de lama meu pai desenvolveu um verdadeiro ritual para limpar as patas do Skip. Antes de abrir a porta do carro ocorre uma dança, Skip rodopia de felicidade e acaba limpando suas patas no chão antes de entrar no carro. E na hora de sair do carro? Só pela porta traseira, nunca pela dianteira. Afinal, cães da alta sociedade canina com privilégios precisam de, no mínimo, um motorista particular!
 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Simon's song

 
The book is on the table
 But I'm feeling your love
What's your name?? I don't know
Because my dog ate, my homework
Listen, the baby is crying
Inside in my mind


There's nothing left to lose
The color and the shape...
I like lemon, I like lemon
I Like lemon and drink, Flying Horse


 Let's talk about feelings
And talk about your feet
I caugth two chairs, and go away,
For hunt rabbits, every day


A day in the life, a day in the night
A day in the light, a day in the box
 

And I lost my Simon's CD
And you lost your head for me...
 

I like lemon, I like lemon
I like lemon and drink, Flying Horse.
I like fishing, I like fishing
I like fishing and listen, Simon's Song...
Simon's Song
Simon's Song



Simon é como esta música do Cueio Limão. Confuso, sem sentido, bizarro...

O nome dele não veio desta música, ele é mais velho que ela. Achei que Simon era um bom nome para um gato siamês vesgo e extremamente atrapalhado. Simon é estranho... Dá pra notar pelas fotos. Poses estranhas, situações inusitadas.


 Acho que nunca o ouvi miar... Ele não gosta de mim, apenas me tolera por eu completar os potes de ração, oferecer ProPlan, carne de latinha e por limpar as caixas de "areia". Quando está muito frio aproveita pra dormir perto de mim, mas nunca com muito contato. "Mantenho uma distância higiênica de humanos" ele diria.

Simon veio da pseudo-vet de Tatuhy. Eu o tirei de lá para doá-lo. Se não o tivesse tirado seu destino seria a morte. Não sei de fome, sede ou ambos. São tantas histórias que não me lembro se foi ele que nasceu de uma gata preta... Se assim o for, Simon é um falso siamês. Importa? Nem um pouco. É um gato. Gatos têm bigodes, ronronam, brincam com bolinhas e destróem caixas de papelão. Gatos comem ração, se lambem e fazem necessidades na caixa de areia. Sejam de raça, mestiços ou vira-latas.

Um adotante queria o gato para um apartamento no quarto andar sem telas. Simon conseguiu se perder e entrar na casa dos chatolinos dos meus vizinhos em SP City, imagine o que faria num apê sem telas... Ficou uma noite perdido. Pela manhã a vizinha tocou a campainha pra devolver o gato que ela achava que seria meu. Claro que era. Mesmo quando não são meus, serão. Destino. "Estava dormindo no meu sofá" ela disse. Simon você errou de casa!

Como toda boa mãe dei-lhe umas broncas: Como você sai sem avisar? Não faça mais isso!

E o abracei bem forte, exatamente do jeito que ele odeia.
Neste dia, quem ronronou de felicidade fui eu =^.^=

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tiragatos

Esta postagem está atrasada, deveria ter sido feita dia 21 de abril. Um ano atrás, 21 de abril de 2010, o feriado de Tiradentes foi alterado para Tiragatos. Neste dia houve um grande êxodo felino de São Paulo-SP para Tatuhy-SP. Foram 137 km de viagem para 26 felinos acomodados em 8 caixas de transporte de materiais e tamanhos variados e 2 bolsas de transporte. Toda a logística da migração foi cuidadosamente estudada. O perfil psicológico de cada felino foi considerado nas combinações para a viagem.

Meus 26 felinos se mudaram para sua nova casa. Tudo bem, eu "comprei" a casa, mas ela na verdade é deles. Telas foram colocadas nas janelas, um muro razoável e outras telas os deixariam a salvo de sua curiosidade. Exatamente como manda o figurino.

Não que eles tivessem uma vida ruim em São Paulo, mas o aumento da família exigiu acomodações mais espaçosas e uma caixa de areia maior.

Obviamente eles não gostaram da mudança. Mesmo deixando as caixas disponíveis para reconhecimento alguns dias antes da mudança, na hora de entrar pra valer foi um desafio. Cobertores e catnip não ajudaram muito. "Pra onde estamos indo?" "Você vai nos abandonar?" Com certeza se entendesse miados seria isso que estariam dizendo.

Chegar na nova casa também não foi algo agradável. A casa ainda estava vazia, sem móveis, exceto por um beliche com colchões para recebê-los. Na viagem, por incrível que pareça, também foram todos os comedouros, bebedouros, brinquedos e as caixas sanitárias. Não, eu não tenho um ônibus... Isso torna o processo de descarte do meu bólido sujo, velho e arranhado ainda mais doloroso. Apesar dos gastos com consertos, mantenho meu ideal de usá-lo até o fim, por questões ambientais, financeiras e sentimentais - são muitas memórias caninas e felinas revividas a cada quilômetro rodado...

A primeira semana foi passada dentro do quarto e escondidos no beliche, mesmo que a porta ficasse aberta. Olhos arregalados, orelhas atentas a todos os ruídos daquele local estranho. Os dias foram passando e alguns passos além dos potes de comida começavam a ser dados. Logo estavam tomando sol nas janelas, mantidas abertas o tempo todo.


Sim, eles têm um ursinho e nele está escrito "I love you". Eu ganhei o urso para um bazar e, por estar sujinho, dei para meus gatos. Faz sentido, pois eu os amo muito =^.^=

A saída para o quintal ainda demorou um tempo. Precisavamos ter certeza de que as telas eram suficientemente seguras.


Jimmy, um gato da minha tia, antiga moradora da casa e acostumado com a liberdade, se recusava a mudar de casa. Como minha tia se mudou para a outra quadra ele fugia e retornava à antiga casa. Detalhe: pulava muros de mais de 2,5 m de altura para retornar. Mais algumas telas foram colocadas para manter Jimmy na sua antiga casa. Além de correr riscos andando por aí estava ensinando meus gatos a fugir. Foram tantas fugas inacreditáveis que alterei o nome de Jimmy para Houdini.


Sim, é pra ter medo, Houdini é muito mau... Adora uma briga...

Os grandes fujões de São Paulo, Vanilla e Socks, nem pensaram em fazê-lo na nova casa. Algumas maçanetas tiveram suas posições alteradas para impedir que Socks as abrisse. Sim, meu gato Socks pula exatamente na maçaneta e espera calmamente a porta abrir...

Móveis mais velhos e coisas sem uso foram sendo levadas para a casa dos gatos. A mesa de ping-pong, uma outra cama, uma cadeira, uma geladeira e um tanquinho. E, claro, caixas de papelão, principalmente de "cuecos", o biscoito preferidos dos cães na falta de Biscrok.


Uma rede foi instalada e era possível encontrar gatos dormindo nela.


Era possível, atualmente ela está desativada por causa do Stolen, um intruso na casa felina que está na fase de destruição máxima. Stolen é um cão, um ser inferior segundo os gatos.


Uma prateleira num local elevado foi colocada, permitindo que os felinos apreciem a vista aérea do local e sintam-se superiores aos cães. April, Peter, Meguinho, Melanie, Stolen e Magoo são cães e moram no quintal da casa dos gatos. Não é raro encontrar um gato se aproveitando do calor canino, ou cães e gatos compartilhando o sol da manhã.



Uma escada usada para trocar uma lâmpada logo se tornou um local muito procurado. Foram tantos pedidos que foi deixada para eles.


Algumas melhorias têm sido feitas, logo será possível considerar esta simples casa um verdadeiro "resort" felino! Como os escravos-humanos não podem satisfazer o tempo todo a necessidade que alguns gatos têm de beber água da torneira foi montado um dispositivo que engana alguns deles:


Alguns apenas, gatos de sangue azul como Maurice se recusam a beber água numa imitação de torneira. Maurice só aceita o original...


E ai de você se não fizer o que Maurice quer... Ele morde...

Troncos diversos também foram colocados garantindo momentos de diversão e "preco-preco", ou seja, afiação de unhas.


Também pode-se tirar um cochilo aproveitando os troncos e o contato com a Natureza:


A lista de exigências felinas é enorme, uma reclamação constante é sobre o elevado número de gatos por metro linear de tronco na hora do "rush"... Os congestionamentos estão se tornando frequentes...



Providências urgentes serão tomadas!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Um dia eu fui um Brutus...

Ele foi o culpado pela minha queda por cães da raça doberman. Como amei esse cão, como sinto sua falta...
Sempre passo a maior parte das minhas férias de julho no interior. Saindo do terreno, que tenho só para colocar meus cachorros, e indo pra casa dos meus pais na outra quadra, vejo de longe um animal com dificuldade de andar, de porte grande, um pouco encurvado. Achei estranho e fui ver o que era, lógico que não ia deixar pra lá. Quando cheguei perto ele já tinha caído no chão. Era um dobermann preto, completamente desnutrido, sem forças pra continuar andando. Tinha feridas pelo corpo, talvez de brigas com outros cães no tempo em que ficou na rua. Cheguei a pensar que ele tinha alguma doença muito grave e que estava em estado terminal. Cogitei a eutanásia para aliviar o seu sofrimento se esse fosse o caso. Eu o prendi numa cerca, um vizinho colocou água e lhe deu uns pães, que ele devorou e vomitou logo em seguida de tão rápido que comeu. E comeu o que tinha vomitado...

 Fui pra casa, peguei o carro, o coloquei no porta-malas e fui até um vet. Um cão velho, judiado, mas sem sinal de doenças ou problemas sérios. O que ele me pediu pra fazer? Dar comida! O problema dele era fome, pura e simplesmente. Estava com uma infecção intestinal, provavelmente por ter comido lixo, mas isso era um nada perto da fome que ele tinha.


Eu o chamei de Brutus. Era grande, assustador, mas um ser inofensivo. Não enxergava direito, vivia latindo pras paredes... Talvez tivesse sido um Brutus quando jovem. E ele comeu, comeu, comeu e comeu mais um pouco. Coloquei sua história no site da Cia. do Bicho. Muitas pessoas maravilhosas o ajudaram. Ele ganhou petiscos, ração, cobertor, coleira, Biscrok, ah, como ele adorava os Biscroks...


Acredito que ele era cão de guarda, daqueles que ficam presos grande parte do dia e são soltos a noite. Isso porque no começo, mesmo tendo espaço, ele ficava escondido na casinha. Só depois de um bom tempo começou a sair e tomar sol deitado na grama. Um dia, pra dar banho nele, eu o prendi numa corrente. Ele aceitou, nunca se mostrou agressivo comigo, mas começou a morder a corrente. Por isso acho que ele vivia preso num cubículo. Eu pude dar a ele nove meses de vida boa. Ele já era velho, sabíamos que um dia ele nos deixaria, mas não pensávamos que fosse tão cedo. Um dia de manhã o encontramos morto na grama. Meu pai o enterrou debaixo de umas árvores, lugar em que sempre o víamos descansar. Ai, que saudades do meu BruBru...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Oswaldinho Cruz-Credo - Parte 2

Oswaldinho resolveu encrencar com os meus gatos. Queria matá-los. Latia, perseguia, fazia tudo que não poderia fazer. A saída foi levá-lo para Tatuí, nessa época já castrado e um pouco mais calmo. A única coisa que me ocorria era que ele era bipolar, não havia outra explicação! Em um momento queria te morder, alguns segundos depois estava no seu colo te dando beijos... É por isso que sou contra a mistura de raças e a criação de cães por pessoas leigas e que visam apenas o lucro. Por que nascem cães com problemas, distúrbios de comportamento. E aí ninguém os quer! Como o Oswaldinho, jogado fora, com raiva de mulheres que portavam rodos e vassouras.
A estadia de Oswaldinho em Tatuí foi terrível. Ele não aceitou os demais cães, se isolou no canil, virou um bicho do mato. Sua imunidade caiu, ficou descabelado, pegou sarna e uma baita gripe canina. Enlouqueceu. Ele queria mesmo é entrar no carro, era como se dissesse “tirem-me daqui!”. Um dia seu sonho se realizou. Eu o trouxe pra São Paulo novamente, precisava dar todos os remédios para a tosse de cachorro que ele pegou. Aqui novamente os problemas com os gatos. Só sobrou um lugar não povoado por animais para ele: a garagem. Ele amou. Ficar perto dos carros era um sonho que se realizava. Sozinho, com sua caminha, seu pote de comida e ninguém por perto ele se acalmou. Virou nosso amigo. Quero dizer, exceto quando ele está com um biscrok ou osso, porque nesses momentos ele nos atacava. Eu sempre dizia a ele que se eu acabei de dar o petisco, porque tiraria? Ele não acreditava, preferia rosnar e me morder se eu me aproximasse demais. Oswaldinho é bipolar, não há dúvidas.

Na garagem ele fez amizade com o carteiro. Comeu nossas correspondências, levando o que sobrava para sua cama e dormindo em cima dos restos. Ele também aprendeu a sair quando eu chegava de carro, fazer seu xixi na árvore e entrar rapidamente no carro, ficando no meu colo enquanto eu terminava de manobrar. Ele escolheu essa vida e eu gostava de chegar em casa e encontrá-lo. Sempre me ajudando a manobrar e aguardando a sua recompensa, como um flanelinha: o biscrok. Este é o Oswaldinho e esta era a sua vida até o dia de uma grande crise bipolar. Oswaldinho saiu para seu xixi na árvore e atacou o rottweiler do vizinho, que saia para passear com seus cães. Foi o primeiro grande evento de 2010. Eu estava em Tatuí para o 8o. mutirão de castração e meu pai tinha ficado com a responsabilidade de cuidar dos bichos da capital. Jogaram água nos dois e o rott o largou. Totalmente fora de si, Oswaldinho entrou na casa do vizinho e foi até o fundo da mesma. Mordeu a mulher do vizinho, meu pai e só meu irmão conseguiu resgata-lo com um enorme pano. Tudo que meu pai menos desejava aconteceu naquele momento. Todos os outros vizinhos saíram de suas casas para saber o que havia acontecido. Um outro vizinho até ofereceu a consulta com seu veterinário para avaliar o estado de saúde dele, mas não havia cortes ou machucados. Difícil de acreditar como ele saiu ileso desta. Talvez o rott tenha se assustado mais que ele, ou o gosto era bem ruim, afinal ele estava sujo e parcialmente tosado. Parcialmente? Sim, eu não consegui tosa-lo. Ficou horrível. As patas e o focinho ficaram com pêlos compridos. Só consegui tosar o corpo. Foi uma época difícil, com muitos gastos com outros animais e a compra da casa da minha tia para acomodar meus gatos. Resolvi, então, que eu mesma tosaria meus bichos, ainda mais depois de ser cliente de pet shops que me davam brindes como os five dogs. Oswaldinho foi o único que não consegui tosar...
A odisséia de Oswaldinho ainda não terminou. Depois do incidente com o rottweiler do vizinho decidimos que a garagem na casa de São Paulo não era o ideal para ele. Como ele gostava do carro tentamos a garagem na casa em Tatuí. Oswaldinho passava horas embaixo do carro e ficava enlouquecido quando o carro não estava lá. Certo que ele gosta do carro, mas o verdadeiro motivo era o Harvey, o boxer branco. Apesar do tamanho Harvey é um bom camarada. Um boxer branco cercado de cães com cerca de 1/5 do seu peso? Ele poderia muito bem acabar com todos eles... Na verdade Harvey gosta de todos eles e eles gostam do Harvey. Menos o Oswaldinho. Ele sentia prazer em provocá-lo, algo que não é muito inteligente, convenhamos. Você franzino, menos de 10 kg, fraco, boca e dentes pequenos mordendo o calcanhar de um boxer branco, forte, quase 40 kg e com uma boca e dentes enormes? É Oswaldinho, se não tivéssemos tirado você da garagem um dia Harvey poderia se encher e acabar com você.
Atualmente Oswaldinho vive com Pupi, a puda cega. Cada um na sua casinha e com o seu pote de ração. Oswaldinho ainda continua bipolar e gosta de nós em alguns momentos enquanto nos morde em outros. A pior parte é que eu gosto dele, mesmo com esse gênio, digamos, do cão!